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Dólar fecha em R$ 5,37 com incertezas fiscais afastando investidores; Bolsa volta a cair mais de 1%

Fed divulga ata com sinalizações para retirada de estímulos monetários ainda este ano e faz com que bolsas americanas fechem em queda

Por Leandro Morisson em 18/08/2021 às 18:52:49

O dólar comercial encerrou esta quarta-feira em alta de 1,94%, cotado a R$ 5,3751, em um dia de pessimismo entre os investidores, receosos com as incertezas fiscais no Brasil. Esse foi o maior patamar para um fechamento desde o dia 4 de maio deste ano, quando a moeda atingiu o valor de R$ 5,4297.

O real foi a moeda com pior desempenho no mundo nesta sessão, enquanto alguns de seus pares emergentes se valorizavam ou operavam em torno da estabilidade.

— A divulgação da ata do Fed balançou um pouco o mercado mais cedo, mas ao longo do dia o que pesou mesmo foi o fator fiscal, com o adiamento da votação da reforma tributária e a questão dos precatórios. O mercado teme que às vésperas do ano eleitoral o governo comece a adotar medidas populistas que acabem prejudicando o equilíbrio fiscal — aponta Felipe Steiman, gerente comercial da B&T Câmbio.

A reforma do Imposto de Renda (IR) foi adiada pela segunda vez nesta quarta-feira, sem que os parlamentares chegassem a um acordo sobre o texto, que toca em pontos importantes para os investidores, como a taxação de dividendos. Os deputados decidiram deixar a análise da proposta relatada pelo deputado Celso Sabino (PSDB-PA) apenas para a próxima semana.

O impasse dos tributos se soma a um cenário marcado pelas discussões a respeito da reformulação do Bolsa Família, com o aumento do valor do benefício, e a proposta de emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, que permite o parcelamento das dívidas do governo fruto de ações judiciais apresentadas por pessoas físicas, empresas e governos locais.

— É muita ginástica para fazer tanta despesa caber no Orçamento. E enquanto isso o presidente Bolsonaro continua esticando a corda com o Supremo, gerando uma chuva de dados ruins para o país — avalia Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos.

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello disse nesta quarta-feira que considera "inconsequente" a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que vai apresentar ao Senado um pedido de impeachment contra Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, integrantes da Corte.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também amargou uma perda de 1,07% neste pregão, fechando aos 116.642 pontos. Essa foi a terceira queda seguida, ampliando a perda na semana para cerca de 3,75%.

Além das tensões políticas e das incertezas fiscais, o mau desempenho do mercado de ações brasileiro também está relacionado à divulgação da ata do Federal Reserve (Fed).

— Os integrantes do Fomc discutiram o início da redução do ritmo de suas compras mensais de títulos ainda este ano, o que surpreendeu o mercado não pela discussão, mas pela antecipação deste desejo até então esperado para o ano que vem — afirmou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, acrescentando que isso "azedou" o humor do mercado.

Fed começa a falar em reduzir estímulos

O Fed já começa a se preparar para reduzir alguns dos estímulos à economia dos Estados Unidos. A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), divulgada nesta quarta-feira, mostra que a maioria dos participantes julgou ser apropriado começar a reduzir o ritmo de suas compras mensais de títulos ainda neste ano.

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As autoridades sentiram que seu referencial de emprego para reduzir o suporte à economia "pode ser alcançado este ano", embora ainda não tenha sido atendido.

A inflação também está elevada no país, acumulando alta de 5,4% em 12 meses, muito acima da meta de 2% para este ano, o que para alguns dos integrantes do Fed significa que os estímulos já não são mais necessários.

"A maioria dos participantes esperava que a economia continue a fazer avanços na direção desses objetivos" e que a meta "poderia ser alcançada este ano", apontou a ata do encontro de 27 e 28 de julho.

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Apesar disso, ainda não há sinalização de quando o Fed poderá recomendar o fim da política de juros zerados no país. Essa é a maior preocupação dos países emergentes, como o Brasil, que por terem juros mais altos acabam atraindo mais investidores em busca de rendimentos maiores.

A expectativa do mercado é que o presidente do Fed, Jerome Powell, dê algum direcionamento em relação aos juros durante a conferência de Jackson Hole, em Wyoming, que ocorre na próxima semana.

Vale em queda

As ações ordinárias da Vale (VALE3) ajudaram a puxar o Ibovespa para baixo, com uma queda de 3,36%, em meio à queda de mais de 4% nos contratos futuros do minério de ferro negociados na China, pressionados pelo aumento nos estoques em portos e por restrições à produção de aço. Os papéis da mineradora têm o maior peso dentro do índice.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) cederam 4,73%, enquanto as ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) caíram 2,31%.

O dia foi de queda também para a Petrobras, com desvalorização de 0,89% nos seus papéis preferenciais (PETR4) e de 1,19% nos ordinários (PETR3).

Entre as mais negociadas do dia, estão as ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4), com leve alta de 0,20%, e do Bradesco (BBDC4), com queda de 0,65%.

Juros futuros sobem

As preocupações com a questão fiscal também pressionaram os juros futuros nesta quarta-feira.

Às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 6,66% no ajuste anterior para 6,715%; a do DI para janeiro de 2023 avançou de 8,36% para 8,495%; a do contrato para janeiro de 2025 disparou de 9,60% para 9,79% e a do DI para janeiro de 2027 escalou de 10,03% para 10,22%.

A perspectiva de juros mais altos normalmente beneficia a taxa de câmbio, mas mais recentemente o que se tem visto é o mercado turbinar apostas em taxas mais elevadas devido à deterioração das perspectivas fiscais e inflacionárias. Isso tem feito com que investidores coloquem em dúvida estimativas otimistas de crescimento econômico para este ano e o próximo.

Bolsas no exterior

As bolsas americanas fecharam em queda nesta quarta-feira, após a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve mostrar que as autoridades consideraram que a situação do mercado de trabalho poderia atender às condições para uma redução de estímulos à economia ainda neste ano.

O índice Dow Jones cedeu 0,41%, enquanto o S&P 500 perdeu 0,36%. O índice Nasdaq ficou praticamente estável, em leve queda de 0,03%.

Na Europa, as bolsas fecharam mistas. A Bolsa de Londres caiu 0,16%. Em Frankfurt, houve alta de 0,28% e, em Paris, queda de 0,73%.

As bolsas asiáticas fecharam em alta. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,59% e a de Hong Kong, 0,47%. A Bolsa de China teve alta de 1,11%.

Fonte: O Globo

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